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| Nelson Mandela |
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| Nelson Mandela, Lebenslauf, Schachpartie |
Até 2009 havia dedicado 67 anos de sua vida à causa que defendeu como advogado dos direitos humanos e pela qual se tornou prisioneiro de um regime de segregação racial, até ser eleito o primeiro presidente da África do Sul livre, razão pela qual em sua homenagem, a Organização das Nações Unidas instituiu o Dia Internacional Nelson Mandela no dia de seu nascimento, como forma de valorizar em todo o mundo a luta pela liberdade, pela justiça e pela democracia.
Nascido numa família de nobreza tribal, numa pequena aldeia do interior onde possivelmente viria a ocupar cargo de chefia, abandonou este destino aos 23 anos ao seguir para a capital Joanesburgo e iniciar atuação política.
Passando do interior rural para uma vida rebelde na faculdade, transformou-se em jovem advogado na capital e líder da resistência não-violenta da juventude em luta, acabando como réu em um infame julgamento por traição, foragido da polícia e o prisioneiro mais famoso do mundo, após o qual veio a se tornar o político mais galardoado em vida, responsável pela refundação do seu país - em moldes de aceitar uma sociedade multiétnica.
Mandela foi criticado muitas vezes por ter traços egocêntricos e por seu governo ter sido amigo de ditadores que foram simpáticos ao Congresso Nacional Africano (CNA). Em seu foro íntimo, enfrentou dramas pessoais e permaneceu fiel ao dever de conduzir seu país.
Foi o mais poderoso símbolo da luta contra o regime segregacionista do Apartheid, sistema racista oficializado em 1948, e modelo mundial de resistência.1 8 No dizer de Ali Abdessalam Treki, Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, "um dos maiores líderes morais e políticos de nosso tempo".Nelson Rolihlahla Mandela
Nascimento 18 de julho de 1918
Mvezo, Cabo Oriental,
South Africa Flag 1912-1928.svg União Sul-Africana
Falecimento 5 de dezembro de 2013 (95 anos)
Joanesburgo, Gauteng, África do Sul
Os principais fatos da vida de Nelson Mandela
1918 Rolihlahla Mandela nasce no dia 18 de julho de 1918, no vilarejo de Mvezo, distrito de Umtata, na região sul-africana de Transkei (hoje a província de Cabo Oriental). Em 1925, ele inicia a escola primária nas proximidades de Qunu, onde um professor lhe dá o nome Nelson.
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| O ex-líder sul-africano abriu o primeiro escritório de advocacia para negros em Johannesburgo |
1942-44 Começa a participar informalmente de reuniões do Congresso Nacional Africano (CNA), agrupação da oposição criada em 1912 e através do qual Mandela chegaria à presidência da África do Sul. Em 1944, ele ajuda a fundar a liga juvenil do CNA e se casa com Evelyn Ntoko Mase, a primeira de suas três mulheres. Com ela, Mandela teve quatro filhos: Thembekile (1945), Makaziwe (1947 - que morreu após quatro meses), Makgatho (1950) e Makaziwe (1954).
1948 O Partido Nacional (Nasionale Party, em africâner), dominado pelos brancos de origem europeia, vence as eleições presidenciais e impõe o Apartheid, um dos regimes mais violentos e simbólicos do segregacionismo e racismo do século XX. O partido, fundado em 1915, existiu até o fim do regime racial, em 1994. Na língua africâner, ‘apartheid’ significa a ‘condição de não fazer parte de algo’.
1951-52 Começa a Defiance Campaign (Campanha do Desafio, em tradução livre), através da qual o CNA inicia uma mobilização contra as leis que consideravam injustas na sociedade sul-africana. “Todas as pessoas que fizeram da África do Sul seu lar, independentemente do grupo nacional ao qual pertencem ou da cor de suas peles, têm direito a viver uma vida plena e livre”, dizia o texto lido em uma conferência em dezembro do ano anterior. Um ano depois, Mandela é preso, acusado e condenado pela violação da lei de Supressão do Comunismo, mas a sentença é suspensa.
1957 Mandela se divorcia e se casa com Nomzamo Winnie Madikizela, com quem teria duas filhas Zenani (1959) e Zindzi (1960).
1960
No dia 21 de março, o movimento opositor do Congresso Pan-Africano organiza um protesto para queimar os livros de controle que impediam a entrada de negros em áreas do distrito de Sharpeville, no nordeste sul-africano. Reprimido pela polícia, a manifestação, inicialmente pacífica, se torna um violento confronto. As forças de segurança abrem fogo contra a multidão negra, deixando 69 pessoas mortas e 178 feridas. Nove dias depois, o governo impõe Estado de Emergência, e Mandela e outros são presos. Em 8 de abril, o CNA é banido.
1961-64
Absolvido da prisão em 1961, Mandela deixa o país para buscar apoio e treinamento militar na Argélia. Em 1962, ele é preso e condenado a cinco anos de prisão, por incentivo a greves e por viajar ao exterior sem autorização governamental. Em 1964, Mandela é novamente julgado e condenado à prisão perpétua por sabotagem e por conspiração para que outros países invadissem a África do Sul.
1982-88
Em 1982, Mandela e outros companheiros são enviados à prisão Pollsmoor. Em 1985, ele rejeita a oferta de liberdade condicional proposta do presidente PW Botha em troca da promessa de não incentivar a luta armada na África do Sul. No mesmo ano, Mandela é operado da próstata. Em 1988, ainda preso, Mandela é diagnosticado com tuberculose e enviado à prisão Victor Verster, em Paarl.
1990-91
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| Nelson Mandela 1990 |
1993
Mandela conquista o prêmio Nobel da Paz ao lado do presidente Frederik Willem de Klerk (1989-1994) por seus esforços conjuntos pela reconciliação do povo sul-africano. “Nós vivemos com a esperança de que, à medida que ela luta para refazer a si mesma, a África do Sul será como um microcosmo de um novo mundo que quer nascer”, afirmou Mandela no discurso.
1994
No dia 27 de abril de 1994, após mais de quatro décadas do regime segregacionista do Apartheid, Mandela é eleito presidente nas primeiras eleições multirraciais do país. "Nós enfim atingimos nossa emancipação política. Nunca, nunca e nunca de novo deixemos que essa linda terra experimente a opressão de um pelo outro", disse o líder sul-africano em seu discurso de posse, no dia 10 de maio de 1994. Foi a primeira vez que Mandela participou de uma eleição.
1996-99
Em 1996, Mandela assina a nova Constituição sul-africana, escrita pelo parlamento eleito em 1994 na primeira eleição multirracial da história do país. É mais um passo na transição democrática do país marcado por décadas de segregação. No mesmo ano, Mandela se divorcia novamente e se casa, em 1998, com Graça Machel. Em 1999, ele deixa a presidência sul-africana, vencida por Thabo Mbeki, também do CNA.
2001-05
Mandela é diagnosticado com câncer de próstata. Em 2004, ele anuncia sua saída da vida pública. Em 2005, ele anuncia que seu filho Makgatho morreu vítima da aids.
2008
Mandela completa 90 anos e pede que as gerações futuras sigam lutando por uma sociedade mais justa.
11 de julho de 2010 Última aparição pública de Mandela, na cerimônia de encerramento da Copa do Mundo da África do Sul 2010
8 de dezembro de 2012
Dá entrada em um hospital de Pretória, onde permanece duas semanas internado com problemas respiratórios e operado de cálculos na vesícula
27 de março de 2013 Hospitalizado durante dez dias por uma recaída de sua infecção pulmonar
8 de junho de 2013 Internado novamente em um hospital de Pretória por recaída de uma infecção pulmonar
23 de junho de 2013 - Situação se agrava
18 de julho de 2013 - Completa 95 anos internado em estado crítico
1 de setembro de 2013
Ainda em estado crítico, é levado para sua casa em Joanesburgo, onde continua a receber o mesmo tratamento que no hospital sob terapia intensiva
Morre, aos 95 anos, em sua casa de Joanesburgo
fonte: noticias.terra.
O futebol foi fundamental no projeto de união de Mandela
Nelson Mandela foi um dos maiores libertadores do Século 20. Não lutou pela independência da África do Sul, mas por algo bem mais profundo, carregando a bandeira dos direitos iguais em um país fortemente marcado pela segregação. Sua vitória resultou no fim do Apartheid, em seu triunfo nas urnas durante as primeiras eleições presidenciais livres. Sobretudo, nas esperanças dadas a uma massa sem grandes perspectivas.
Líder nato, Mandela cativava multidões através de seu caráter. No entanto, o Nobel da Paz de 1993 sabia que sua imagem e a história não eram suficientes para promover uma união cada vez maior entre a população. Foi muitíssimo habilidoso ao utilizar o esporte como ferramenta de aproximação entre segmentos sociais que passaram décadas distantes por conta do racismo.
“Os esportes têm poder para mudar o mundo. Poder para unir as pessoas como poucas coisas conseguem. Fala com a juventude em uma linguagem que podem entender. O esporte pode criar esperança em lugares onde ele apenas desaparece”, afirmava Mandela, em um trecho comum em vários de seus discursos. O estadista transmitia a noção de que, jogando e torcendo juntas, as pessoas acelerariam o fim das divisões que resistissem na África do Sul.
O exemplo mais célebre desta política foi dado durante a Copa do Mundo de Rúgbi de 1995, que se transformou em ícone graças ao filme baseado na história. Esporte mais popular entre os negros, porém, o futebol também foi fundamental nessa integração. A Copa Africana de Nações de 1996, vencida pelos Bafana Bafana, é o grande marco desse processo – e com um simbolismo até maior para a reorganização do país do que a Copa do Mundo de 2010.
O apartheid no futebol sul-africano
Os primeiros registros da prática de futebol na África do Sul são da década de 1860, em jogos organizados nas portuárias Cidade do Cabo e Porto Elizabeth – que hoje abriga o Estádio Nelson Mandela Bay. Entretanto, os sinais de segregação surgiram logo em sua institucionalização. Fundada em 1892, a Associação de Futebol da África do Sul (Fasa) aceitava apenas brancos. Nas décadas seguintes, mais três federações foram criadas, destinadas a indianos, a negros e a mestiços.
Independente da clara segmentação social, a integração existia de maneira moderada. Na década de 1930, a Copa Suzman foi a primeira competição inter-racial disputada na África do Sul. Já em 1951, com a intensificação das políticas racistas, indianos, negros e mestiços se uniram em uma nova entidade. Cinco anos depois, todavia, o governo sacramentou a política do apartheid nos esportes.
O racismo expresso no futebol excluiu a seleção sul-africana do cenário internacional. Uma das fundadoras da Confederação Africana de Futebol, a federação foi desfiliada pela entidade, assim como ficou de fora da primeira edição da Copa Africana de Nações, justamente por não aceitar equipes multiétnicas. Da mesma forma, os sul-africanos foram suspensos por tempo indeterminado pela Fifa, após anunciarem a intenção de enviar um time de brancos às Eliminatórias da Copa de 1966 e outro de negros em 1970.
Concomitante ao processo oficial de segregação, a profissionalização do futebol na África do Sul acabou com a criação de três ligas nacionais diferentes. Em 1959, a National Football League (NFL) contava apenas com clubes brancos. Dois anos depois, South African Soccer League (SASL) passou a reunir negros, mestiços e indianos. Já em 1971, surgiu a National Premier Soccer League (NPSL), destinada apenas às equipes negras.
Dentro dessa divisão, o futebol foi importante instrumento antiapartheid. A NFL faliu em 1977 e muitos de seus times se juntaram à NPSL no ano seguinte, com a brecha de poderem escalar até três negros. Em 1983, Jomo Somo, um dos maiores jogadores negros do país, estabeleceu um marco ao adquirir o Highlands Park, o clube mais vitorioso entre os brancos. Já em 1985, uma cisão ocorreu e National Soccer League foi criada, sem nenhuma regra racista. O torneio foi o embrião da Premier Soccer League, o atual Campeonato Sul-Africano, fundada em 1996.
Praticante de boxe durante a juventude, Nelson Mandela estreitou suas relações com o futebol justamente durante o período em que estava preso por causa da luta antiapartheid. Em 1964, os prisioneiros da Ilha Robben criaram a Makana Football Association. Uma maneira de manter acesa não apenas a paixão pelo futebol, como também de manter os encarcerados mais próximos.
Mandela não chegou a atuar na Makana Football Association, mas era espectador assíduo do torneio, embora tivesse que se esconder dos guardas para poder assistir aos jogos. Tempos depois, o presidente admitiu a importância do torneio também como distração nos 27 anos que passou aprisionado na Ilha Robben.
A liberdade só veio a Mandela em fevereiro de 1990, durante a intensificação da busca pelo fim do apartheid. E seu primeiro ato público aconteceu no estádio Soccer City, diante de 100 mil espectadores. A luta do ativista refletiu no futebol, com a criação da Associação de Futebol da Sul-Africana (SAFA) em 1991 e a primeira partida da seleção em três décadas, contra Camarões e com um time multirracial em 1993.
Já em 1994, horas depois de assumir a presidência, Mandela visitou o Ellis Park. Pousou de helicóptero no centro do campo durante o intervalo da partida entre os Bafana Bafana e Zâmbia. Levou os 80 mil torcedores presentes no estádio à loucura e ainda viu a vitória dos sul-africanos por 2 a 1, naquele que ficou conhecido como “Mandela Challenge”.
A Copa Africana de Nações de 1996
Diante da popularidade do futebol na África do Sul, sobretudo em relação à população negra, a Copa Africana de Nações de 1996 teve papel central na integração. O país não tinha sido escolhido como sede do torneio inicialmente, assumindo o lugar do Quênia após desistência por problemas econômicos. Três estádios utilizados na Copa do Mundo de Rúgbi de 1995 foram aproveitados, além do Soccer City, símbolo do futebol em Soweto.
No discurso de abertura da CAN, Mandela ressaltou esse caráter de união da competição: “Nós estamos certos que este torneio irá, por sua arte, pelo espírito esportivo e pela organização, justificar a confiança em nosso continente. Esse sucesso será medido não apenas no número de gols marcados, mas também na forma como ele desenha nossas nações mais próximas, assim como nossa talentosa juventude adiciona outro tijolo na edificação do renascimento da África” [confira o texto, na íntegra, no fim da matéria].
E para ajudar a proposta da África do Sul, nada melhor que o título dos Bafana Bafana. Apesar da pouca experiência internacional, a seleção deixou para trás Angola, Camarões, Egito, Argélia e Gana, antes de bater a Tunísia por 2 a 0 na decisão, vista por 80 mil pessoas. Vestido com a camisa da equipe, Mandela entregou a taça ao capitão Neil Tovey, o primeiro branco a levantar a Copa Africana de Nações, conquistada graças aos dois gols do negro Mark Williams.
Já em 1997, a confirmação do sucesso da África do Sul no futebol. Novamente no Soccer City, desta vez com um gol de Phil Masinga, os Bafana Bafana bateram Congo por 1 a 0 e confirmaram a passagem à Copa do Mundo de 1998. A campanha no Mundial da França foi modesta, com duas derrotas e um empate. Nada que diminuísse o orgulho de um país que, enfim, podia mostrar para o resto do planeta a sua integração.
A Copa do Mundo de 2010
O último passo para a afirmação do futebol na África do Sul e, de certa forma, da África do Sul como uma nação sem segregações aconteceu em 2004, com a escolha da Copa do Mundo de 2010. Cidade do Cabo já tinha perdido o processo dos Jogos Olímpicos de 2004, assim como os sul-africanos fracassaram na tentativa de receber a Copa de 2006, em uma votação na qual pareciam favoritos. Enfim, os africanos eram eleitos.
Mandela não se fez presente em toda na campanha pela Copa de 2010, encabeçada por Danny Jordan, outro ativista antiapartheid, mas apareceu sempre que foi solicitado. Após o anúncio oficial da Fifa, o ex-presidente reafirmou sua alegria com uma metáfora: “Estou me sentindo como um garoto de 15 anos de idade”.
“Na África, o futebol tem grande popularidade e tem um lugar especial no coração das pessoas. Por isso é tão importante que a Copa do Mundo seja pela primeira vez sediada no continente. Temos que buscar excelência e, ao mesmo tempo, garantir um benefício duradouro a nosso povo. As pessoas da África aprenderam as lições de paciência e resistências em suas longas lutas por liberdade”, declarou, durante o sorteio dos grupos do torneio.
A erupção de alegria na população foi marcante, apesar dos atrasos nas obras “padrão Fifa” e de outros questionamentos sobre os bilhões gastos com uma Copa em um país cheio mazelas sociais. Ainda assim, era a chance de a África do Sul se tornar o centro das atenções do mundo, ainda que por um mês, e demonstrar as evoluções maciças vividas nas duas décadas anteriores. “Ke nako”, dizia Mandela. “É a hora”.
Por conta da morte de sua neta em um acidente de carro, Mandela não compareceu à abertura do Mundial. Porém, esteve no Soccer City antes da decisão entre Espanha e Holanda. Seu discurso reverberava o sentimento da população, de que “foi possível, mostramos ao mundo”. Foi a última grande aparição pública do líder. Um ato de grande simbolismo não apenas pela importância da ocasião, mas também pela imagem transmitida pela África do Sul. Um país unido por Mandela e, graças a ele, também pelo futebol.
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O discurso de Nelson Mandela na cerimônia de abertura da Copa Africana de Nações de 1996
A contagem regressiva acabou.
Pelas próximas três semanas, as melhores nações do futebol na África irão abençoar a África do Sul liberta com a melhor exibição de habilidades que nosso continente pode oferecer. Milhões de amantes do futebol em todo continente, e mais distantes, irão se juntar a nós nesse festival de amizade africana.
Em nome de todos os sul-africanos, eu dou boas-vindas a todos vocês. Abraçamos nossos irmãos e irmãs ao longo do continente, que estarão conosco em espírito neste período empolgante.
A decisão da Confederação Africana de Futebol em dar a 20ª Copa Africana de Nações à África do Sul é o maior presente que a África poderia conceder a nossa comunidade esportiva e, em particular, a nossa fraternidade futebolística. Por isso, agradecemos do fundo de nossos corações. Vocês estão mais uma vez afirmando que nossa jovem democracia encontrou um nicho com a família africana de nações, para aprender e contribuir ao máximo.
O futebol é uma das modalidades esportivas na qual a África está crescendo para demonstrar sua excelência, por muito tempo latente em seu ventre.
Nós estamos certos que este torneio irá, por sua arte, pelo espírito esportivo e pela organização, justificar a confiança colocada em nosso continente. Esse sucesso será medido não apenas no número de gols marcados, mas também na forma como ele desenha nossas nações mais próximas, assim como nossa talentosa juventude adiciona outro tijolo na edificação do renascimento da África.
Agora é meu privilégio declarar isso, a Copa Africana de Nações de 1996 está aberta.
http://trivela.uol.com.br/africa/o-futebol-foi-fundamental-no-projeto-de-uniao-de-mandela
Morre Nelson Mandela, ícone da luta pela liberdade na África
"Madiba" marcou a história sul-africana como símbolo da luta contra o apartheid e como primeiro presidente negro do país. Com sua morte aos 95 anos, África do Sul e Congresso Nacional Africano perdem símbolo moral.
Nelson Mandela, o ídolo reverenciado da luta antiapartheid sul-africana e uma das mais importantes figuras políticas do século 20, morreu nesta quinta-feira (05/12), aos 95 anos, disse o presidente da África do Sul, Jacob Zuma. "Ele agora está descansando. Ele está agora em paz", afirmou Zuma, com ar sombrio, ao fazer o anúncio em intervenção televisiva.
"A nossa nação perdeu o maior dos seus filhos", acrescentou. "O nosso querido Madiba vai ter um funeral de Estado", pormenorizou, anunciando que a bandeira sul-africana vai estar a meio-pau a partir de sexta-feira e até as suas exéquias.
Quando Gadla Mandela batizou seu filho de "Rolihlahla", em julho de 1918, ele certamente não tinha ideia do quanto este faria honra ao nome. No idioma da nação xhosa, "Rolihlahla" significa "aquele que parte os galhos", ou, em tradução menos literal, "o que cria muita confusão". E o visionário ativista "Madiba" – nome de clã de Nelson Mandela, um apelido carinhosamente adotado por todo o povo da África do Sul – causou muita confusão na injusta sociedade sul-africana dos anos 1960.
O apartheid – regime de segregação racial liderado pela minoria branca entre 1948 e 1994 – se vingou, colocando Mandela atrás das grades durante 27 anos. Tornaram-se famosas as palavras finais de "Madiba" após a conclusão, em 1964, do processo Rivonia – no qual foi responsabilizado por mais de 150 atos de sabotagem e condenado à prisão perpétua. "Estou disposto a morrer", disse Mandela ao fim de seu discurso de quatro horas, durante o qual revelou todos os ardis da separação racial em seu país.
O ex-líder sul-africano abriu o primeiro escritório de advocacia para negros em Johannesburgo O ex-líder sul-africano abriu o primeiro escritório de advocacia para negros em Johannesburgo Ainda jovem, Mandela já partia um ramo ou outro. Após uma infância privilegiada como filho do chefe, nas verdes colinas de Transkei (sudeste da África do Sul), destacou-se na universidade como líder de um protesto estudantil. Mais tarde, escapou de um casamento forçado, fugindo para a metrópole Johannesburgo, onde em breve se politizaria. Em 1944, Mandela tornou-se membro do Congresso Nacional Africano (ANC), atual partido governista com o presidente Jacob Zuma.
Em 1948, o Partido Nacional assumiu o poder, e a partir de então institucionalizou a separação de raças. Quatro anos mais tarde, após o batismo de fogo como assistente jurídico num escritório mantido por judeus, Mandela abriu o primeiro escritório negro de advocacia de Johannesburgo. Luta armada contra o apartheid Mandela recebe o uniforme da prisão. Ele ficou 27 anos atrás das grades por lutar contra o apartheid Mandela recebe o uniforme da prisão. Ele ficou 27 anos atrás das grades por lutar contra o apartheid
Essa foi a época dos protestos de massa e campanhas de desobediência civil do ANC contra o apartheid, nos quais Mandela desempenhou papel central.
Após a proibição do ANC em 1961, ele fundou com outros pugilistas amadores a ala militante Umkhonto we Sizwe (Lança da Nação) e, na qualidade de comandante da organização clandestina, ordenou operações de guerrilha contra instituições públicas.
No ano seguinte, viajou secretamente para o exterior, a fim de angariar apoio financeiro para a formação dos quadros do ANC.
Ao retornar, foi preso e mais tarde condenado no processo diante do tribunal de Rivonia. Mandela cumpriu 17 anos de sua sentença na mal-afamada Ilha de Robben (Robben Island), a cerca de 11 km da capital legislativa sul-africana, a Cidade do Cabo. No trabalho forçado nas pedreiras, sob sol ardente, o preso político teve grande parte da visão prejudicada – o que, mais tarde, levou a uma proibição do uso de flashes por fotojornalistas. Durante a detenção, Mandela criou a chamada "Universidade da Ilha de Robben", ensinando aos presos a ler e a escrever.
Hoje, a cela número 5 da ilha, Patrimônio da Humanidade da Unesco, é um dos pontos turísticos mais visitados na África do Sul. No discurso após sua libertação, em 1990 Em 1988, Nelson Mandela começou a ser preparado para a libertação. Três anos antes, ele recusara um perdão da pena em troca do abandono da violência por parte do ANC. Seguiram-se negociações secretas com as autoridades, e em 11 de fevereiro de 1990, após 27 anos de prisão, Nelson Mandela foi libertado sob as ordens do então presidente Frederik de Klerk, com quem dividiria o Prêmio Nobel da Paz de 1993 pelos esforços de ambos para acabar com o apartheid. Após o apartheid, a aids
Após sua libertação, Mandela pressionou pelo fim da separação racial, o que levaria às primeiras eleições livres de seu país, em abril de 1994. Em 10 de maio daquele ano, ele foi empossado primeiro presidente negro da África do Sul. A partir daí, concentrou-se sobretudo na reconciliação entre as raças. Juntamente com o arcebispo Desmond Tutu, da Cidade do Cabo, impulsionou a revisão dos crimes do apartheid na Comissão da Verdade e da Reconciliação.
Após encerrar o mandato presidencial e despedir-se da política ativa em 1999, "Madiba" dedicou-se às funções sociais de sua fundação. O trabalho é voltado principalmente às crianças especiais e aos portadores de aids. "Os sul-africanos travaram uma nobre luta contra o apartheid. Hoje, estão diante de uma ameaça muito maior", declarou Mandela, cujo segundo filho, Makgatho, morreu da doença em 2005.
Por sua vez, seu sucessor, Thabo Mbeki, negligenciou o combate à epidemia que se alastrava. Mas o próprio Mandela admitiria mais tarde não ter feito o suficiente contra o alastramento da aids durante seu mandato presidencial. Na luta contra a miséria na África do Sul, Mandela tampouco correspondeu às expectativas. O slogan de 1994 do ANC – "Uma vida melhor para todos" – só se tornou realidade para uma pequena elite negra. Corrupção crescente, criminalidade endêmica e ausência de perspectivas de emprego são, até hoje, uma ameaça para a chamada Nação do Arco-Íris (definição usada para descrever a África do Sul pós-apartheid).
Nelson Mandela se tornou o primeiro presidente negro da África do Sul, em 1994 Símbolo moral No plano internacional, Nelson Mandela empregou sua popularidade em prol do Burundi, país africano devastado pela guerra civil entre 1993 e 2005, e criticou publicamente a política dos Estados Unidos e do Reino Unido em relação ao Iraque. Mandela era conhecido pelo seu carisma, tranquilidade e sabedoria. E pelo jeito descontraído. Mesmo ao receber visitas do mais alto escalão, preferia vestir as famosas camisas multicoloridas camisas "Madiba shirts".
Em 2004, a popularidade de Mandela e seu empenho foram decisivos para que a África do Sul fosse escolhida para sediar a Copa do Mundo de futebol de 2010.
Mandela foi casado três vezes. Com a primeira mulher, Evelyn Ntoko Mase, ativista do ANC, da qual se divorciou em 1957, teve dois filhos e duas filhas, sendo que uma morreu ainda bebê. O primeiro filho de Mandela, Madiba Thembekili, morreu em 1969 em um acidente de carro. Em 1964 ele se casou com Winnie Mandela, a primeira assistente social negra de Johanesburgo. Da união, que durou até 1996, nasceram duas filhas. Ao completar 80 anos, em 18 de julho de 1998,
Mandela casou-se com a política e ativista dos direitos humanos moçambicana Graça Machel, que foi ministra da Educação e da Cultura no primeiro governo do país vizinho da África do Sul após a independência de Portugal, em 1974. Graça Machel é também viúva de Samora Machel, ex-presidente de Moçambique e apoiador do ANC.
Em abril de 2013, durante a última aparição pública Mandela pretendia comparecer à abertura da Copa do Mundo de futebol em 11 de junho de 2010 em Johanesburgo. Mas na noite anterior, sua bisneta, Zenani, de 13 anos, morreu em um acidente de carro, o que o levou a cancelar a participação na cerimônia. Seu estado piorou visivelmente nesta época.
Em julho de 2011, ele se mudou definitivamente para Qunu, seu povoado natal, alimentando especulações sobre sua saúde.
A hospitalização mais recente de Mandela foi no final de março deste ano, durante dez dias, para tratar de uma infecção pulmonar recorrente, talvez ligada às sequelas de uma tuberculose contraída durante o encarcerameto na Ilha de Robben.
Durante a última aparição em público, em abril, Mandela apareceu fisicamente enfraquecido ao receber os mais altos dirigentes da África do Sul na própria residência. Com Nelson Mandela,
o mundo perde um grande guerreiro pela liberdade. Sua pátria, a África do Sul, perde, além disso, uma bússola moral – ainda que o ancião, ultimamente cercado pelos bisnetos, quase nunca se pronunciasse sobre temas políticos da atualidade. Entre os especialistas, fica o temor de que, após a partida de seu mentor, o ANC de Mandela enverede ainda mais depressa pelo caminho de vários movimentos libertários da África: em direção ao abuso de poder e ao nepotismo.
Homenagem mais do que merecida pelos 90 anos de Nelson Mandela, o homem que nos fez acreditar que a tolerância e a liberdade em África são possíveis.
«Nelson Mandela é um dos grandes líderes morais e políticos do nosso tempo cuja vida exemplar inteiramente consagrada à afirmação da dignidade do homem e à luta contra a opressão racial na África do Sul lhe valeu o prémio Nobel da Paz e a presidência do seus país. Desde a sua libertação triunfal em 1990, após mais de um quarto de século de prisão, Mandela passou a estar no centro do drama político mais fascinante e inspirador do mundo. Como presidente do Congresso Nacional Africano e chefe do movimento anti-apartheid da África do Sul, desempenhou um papel fulcral na passagem do seu país para um governo multi-racial e da maioria.
É mundialmente admirado como uma força vital na luta pelos direitos humanos e pela igualdade racial. Longo Caminho para a Liberdade é a sua comovente e estimulante autobiografia, um livro que merece um lugar ao lado das memórias mais prestigiadas das grandes figuras da História. Pela primeira vez, Nelson Rolihlahla Mandela conta a história extraordinária da sua vida – uma narrativa épica de luta, contrariedades, esperança renovada e triunfo final que era, até este momento, praticamente desconhecida.
Para milhões de pessoas em todo o mundo, Nelson Mandela representa, como nenhuma outra personalidade viva, o triunfo da dignidade e da esperança sobre o desespero e o ódio.
Longo Caminho para a Liberdade condensa esse espírito num livro para sempre.»
De Longo Caminho para a Liberdade, editado no nosso país pela Campo das Letras, em 1995
Um texto com 13 anos, mas que se mantém perfeitamente actual.
http://adignidadedadiferenca.blogs.sapo.pt/35435.html
Mandela dedicou 70 anos da sua vida à luta pela liberdade e igualdade
Sul-africano sempre disse que a educação podia mudar o mundo.
Ele se despediu do mundo aos 95 anos.
Mandela costumava dizer: "a educação é o principal instrumento que alguém pode usar para mudar o mundo". Ele foi o primeiro da família a frequentar uma escola, aos sete anos de idade. Foi lá que recebeu o nome Nelson.
A luta pela justiça começou na universidade de Fort Hare, quando estudava Direito. Mandela participou de greves estudantis, entrou em confronto com a direção da universidade e foi expulso.
Viajou para Johanesburgo. Lá, conseguiu concluir a faculdade de Direito e se tornou o principal representante do movimento contra o apartheid. A política de segregação racial negava direitos políticos, sociais e econômicos à maior parte da população: os negros.
Mandela lançou uma campanha de desobediência civil. Ele era líder do Congresso Nacional africano, uma organização negra. Depois de um massacre de 67 negros na década de 60, ele decidiu assumir o comando do braço armado do CNA.
O partido foi declarado ilegal. Mandela era classificado como terrorista pelo governo sul-africano e foi parar na prisão. Entretanto, a maioria negra via Mandela como ícone da resistência.
A sentença foi prisão perpétua por sabotar alvos militares e do governo - o que Mandela admitiu - e conspiração para ajudar outros países a invadirem a África do Sul, o que Mandela negou. Foram 27 anos na prisão.
Na década de 80 começou uma pressão internacional pela libertação de Mandela. No dia 11 de fevereiro de 1990, quando tinha 72 anos, o presidente Frederick de Klerk ordenou que ele fosse libertado e os dois dividiram o Prêmio Nobel da Paz. Mandela se tornou presidente da África do Sul e governou de 1994 a 1999.
Mesmo depois de o CNA tomar o poder, os brancos eram os que tinham armas e dinheiro. Aos negros restava a causa de vingança. Mandela mudou o hino do país, alterou a política de segregação racial na legislação e consolidou a democracia. O mandato terminou em 1999.
Depois de deixar a presidência, Mandela se dedicou a uma campanha para arrecadar fundos de combate à aids. A campanha foi chamada de 466-64, o número dele durante a prisão. Quando fez 85 anos anunciou o fim da trajetória na vida pública e aos 95 anos se despediu do mundo.
http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2013/12/mandela-dedicou-70-anos-da-sua-vida-luta-pela-liberdade-e-igualdade.html



